Cisma ou transtorno?

Isto é ponto assente: ansiedade não é uma cisma. Ansiedade é um transtorno. É frequente ouvir as pessoas repetirem que são ansiosas porque estão a conferir frequentemente as horas, porque esperam ansiosamente por algum acontecimento, mas ser ansioso é muito mais do que isso. Ansiedade está presente quando motivos aparentemente normais causam nervosismo, preocupação e até angústia.

Isto é um assunto que me é particularmente familiar. Lembro-me de ser ansiosa desde que sou gente. Estou sempre a pensar em eventos futuros, em datas próximas, a ver o telemóvel, a ver as horas, a confirmar se desliguei as coisas, se fechei o carro. E mesmo com todas as confirmações há vezes em que volto atrás para confirmar (again). Para confirmar que ficou bem confirmado.

Aos 15 anos fui diagnosticada com o transtorno da ansiedade. Sim, leram bem. Transtorno. Ser ansioso nem sempre é mau, mas quando chega a diminuir a qualidade de vida, torna-se transtorno. É desde aí que passo por diversos ciclos. Ora ando bem. Ora ando meramente ansiosa. Ora ando muito mal e a coisa precisa de químicos para acalmar.

Valha-me as unhas para aliviar (não me orgulho disto). E quando não pode ser a das mãos, porque está ali ao lado alguém a dizer “tira as mãos da boca!”, vai a dos pés mesmo. Calma, não meto os pés na boca. Flexibilidade, mas não exageremos. Vou com as mãozinhas ao pés e lá se vão as unhas. Ficam todas aos altos e baixos. Quando não dá nem uma coisa nem outra, ora vai uma mordida na parte interior da bochecha, ora vai um ranger de dentes, ora vai um perna que baloiça, baloiça e baloiça até parecer que me vai sair do corpo. Isto em dias meramente ansiosa. Em dias muito maus a coisa agrava-se. Vai-se a fome, vai-se o sono, vai-se o ânimo, vai-se tudo.

Ansiedade é vista, como aliás a maior parte dos problemas do foro psicológico, como uma cisma. A maneira como nos abordam passa muito por: “não penses nisso”, “não ligues a isso”, “isso é tudo da tua cabeça”, “não dês importância” (…)

Não funciona, pessoas! Não funciona! Pelo contrário. Um conselho de quem percebe da poda. Se não sabem o que dizer: Abracem!

Arrependimentos

2019 está a acabar. Dá para acreditar que já passou mais 1 ano? O António está quase a fazer 1 ano. O tempo corre.

Na reta final do ano, é tempo de fazer reflexões. O que correu bem, o que correu menos bem, o queremos manter e o que queremos mudar no novo ano que se inicia em breve.

O que está feito não dá para alterar, mas dá para concluirmos que não faríamos novamente da mesma maneira. E eu, certamente não voltaria a repetir uma coisa: voltar ao trabalho aos 4 meses do meu bebé.

Voltar a trabalhar ao fim de 4 meses de licença foi a pior e mais dolorosa experiência da minha vida. Algo que por palavras é difícil de explicar. Parece que nos arrancam um pedaço de carne a sangue frio. Parece que nos tiram um membro e nunca mais nos devolvem. No dia em que vim trabalhar escrevi “a cabeça vai, o coração fica”. E isso mantêm-se. Sempre. Todos os dias.

Podia ter prolongado a licença, mas ingénua achei que a empresa não merecia que lhe falhasse. Mas falhei eu ao meu filho. Não estive lá o tempo que ele merecia e só mais tarde percebi: ninguém é insubstituível dentro de uma empresa, mas a mãe… A Mãe, ninguém a substitui.

É claro que ele estava bem, mas não estava comigo. Eu sei que ele estava bem estregue, mas não estava comigo. Não era eu que lhe dava a sopa. Não era eu que lhe dava o lanche. Não era eu que estava ao lado dele nas sestas. Não era eu. E continuo a não ser eu. É frustrante. E também é uma bipolaridade de sentimentos: eu sei que toda a gente tem de trabalhar e sei que a maioria das mulheres passou ou está a passar por isto, mas cá dentro não aceito. Não compreendo os 4 meses.

Estou com horário reduzido. 10h ás 17h. Dia 22 deste mês, termina. Vou passar de 7 horas para 9 horas longe do meu rebento. Que tempo resta para ele? A noite. Só.

Podia ter aproveitado todo o tempo que ele merecia e não aproveitei. Não aproveitei o meu filho até ao máximo. E agora não posso voltar no tempo. É o meu maior arrependimento de 2019.

Recebi esta foto num dos primeiros dias pós licença. Continua a ser um dos meus refúgios quando bate a saudade.

As manias das mulheres #2

Há uma coisa na minha mãe que sempre amei de ódio: para sairmos de casa para qualquer lado tínhamos de deixar a casa intocável! Tudo arrumadissimo! E eu perguntava-me “mas para quê? A seguir estamos de volta e podemos arrumar.”

Resposta: Nós sabemos como saímos, mas não sabemos como entramos. Nunca se sabe o que pode acontecer. E se acontece alguma coisa depois é uma vergonha.

Isto é lindo, lindo. Este espírito de passeio fascina-me. Ora então, vamos ali dar um passeio. Mas arrumamos primeiro a casa de uma ponta á outra, limpamos o pó, arrumamos a roupa, passamos a esfregona, damos verniz na madeira, damos ali um retoque na pintura, que nunca se sabe se não temos um acidente pelo caminho, ou sei lá eu até morremos e depois como é? Vem cá a aldeia visitar-nos, ou, meus amigos, ao nosso velório. E depois como é gente? Como é? Está ali a sapateira cheia de pó, está ali uma rachadela na parede, está ali um chinelito fora do sitio, está ali uma cueca no chão. Meu Deus, que vergonha!

Tanto reclamei, tanto gozei, tanto achincalhei a minha mãezinha com este pensamento (que ela me perdoe), e ela rogou-me uma praga tão grande, tão grande que virei a versão dela mais nova 25 anos. Que os santinhos todos me perdoem (já que ontem era dia deles) mas ontem antes de sair de casa passei a minha casinha toda a pente fino (para não dizer a cotonete). Isto dá cabo da cabeça de uma pessoa. Aqui A Mãe Do António fica velha.

Do alto dos meus 24 anos não consigo ver um chinelito fora do sitio, senhores. Alguém conhece o antídoto? (já implorei á minha mãe que desfizesse a praga, mas ela diz que assim é que está certo. Acho que ela não me ama).

Ao menos é fim de semana prolongado. Posso limpar a casa outra vez hoje e amanhã. Ufa!

Somos pais. E agora?

Ser namorados depois de ser pais. Parece simples. Mas não é! Não é. Mesmo.

O que é namorar? Ora bem… é estar apaixonado por aquela pessoa. É achar aquela pessoa a mais bonita de todas, aos nossos olhos. É pensar nela e sorrir. É querer estar sempre com ela. É dar beijinhos e abraços. É achar tudo nela bonito.

Segundo o dicionário, namorar é: 1.pretender o amor de; cortejar; requestar; galantear; 2.procurar inspirar amor em; 3.manter uma relação amorosa com; andar de namoro com; 4.cativar; atrair; seduzir; 5.desejar muito; apetecer; cobiçar .

Namorar é um conjunto de atividades boas. Quando dois namorados têm um amor tão grande, tão grande, tão grande que não cabe no peito… nasce uma outra vida: um filho. Pelo menos eu quero acreditar que todos nascemos resultantes de um amor que não coube no peito.

São agora pais. Mas não deixam de ser namorados. São namorados e pais. Qual o significado de namorar depois de ser pais? É estar apaixonado por aquela pessoa mas sempre a pensar no filho. É achar aquela pessoa a mais bonita de todas, aos nossos olhos, depois do nosso filho. É pensar nela, com o nosso filho ao colo, e sorrir. É querer estar sempre com ela e com o nosso filho. É dar beijinhos e abraços, aos dois. É achar tudo nela bonito, principalmente o nosso filho.

Na verdade, namorar é exatamente a mesma coisa, mas…. com um filho. Digamos que passamos a ver o nosso amor em forma de gente (bonito isto).

Parece fácil, mas é mais difícil do que parece. O filho passa a ser a prioridade de ambos. Ocupa-nos o tempo, o espaço e o coração. Não é que deixemos de pensar no outro, mas acreditamos que o nosso filho, naquele momento, precisa mais de nós do que o pai ou a mãe. Pensamos, mas não é verdade. Chega um filho e com ele chegam as inseguranças, os medos, os receios, as dúvidas. Chega um amontoado de coisas que até então não estávamos habituados a lidar. É, por isso, que depois de um filho precisamos, ainda mais, de namorar. Passa a ser um namoro diferente? Passa.

Namora-se nos gestos. Nos abraços no silêncio da noite. Na mão dada no fim de um dia difícil. Numa massagem. Num sorriso escondido. Numa mensagem durante o dia. Num abraço ao adormecer. E, de vez em quando, esquecer que somos pais por umas horas e lembrar-nos que somos namorados. Porque a verdade é só uma: não existia um filho, se não existissem duas pessoas que se amam antes de um filho. E há ainda uma verdade mais certa: no momento em que nasce um filho, nasce uma relação que será para sempre! Somos pais daquela vida. Não há relação no mundo mais importante e mais bonita que esta. Somos pais. Criamos vida. Os pais são as bases de um filho. Literalmente. E os pais a base um do outro.

Nada disto é possível sem amor. Amor, a maior e melhor riqueza do mundo. E eu amo muito os dois.

As manias das mulheres #1

Ora então vamos a um tema super, super, supeeeer simples: as manias das mulheres. Há lá alguém que não entenda a 100% todas as mulheres! Somos tãooooo fáceis de entender.

Sabem aquela sensação de unha acabinha de arranjar? Aquela sensação de chegar a um salão de manicure com a unhaca mais parecida com uma pata de galinha do que propriamente com uma mão de senhora, e sair a sentir que a nossa mãozinha era capaz de estar ali a fazer montras com anéis e mais anéis e pulseiras do Eugénio Campos? É maravilhosa!

E aquela sensação de tirar o verniz com os dentes? Ai que descarga de stress!! Que bom arrancar aquele vernizinho solto. Aquela pontinha levantada! Que bem que sabe. Pelos menos a mim.

E não é uma satisfação gigantesca ter ali aquela panóplia gigante de cores e não saber qual escolher e vai pelo estado de espírito?! Enquanto a menina que nos arranja as unhas, está a arranjar uma mão e nós com a outra damos a volta às cores todas na indecisão de qual escolher. Que bom que é. Aquela horinha é nossa e das nossas unhas. Uhhh.

Sabem aquela pelezita que está ali do lado da unha a querer saltar? Não sabe pela vida ir lá com os dentinhos e arrancá-la? Aiiii!! E no entretanto, entre tirar a pele e não tirar sai um bocadinho de verniz. Mas como não gostamos de ver aquela unha sem um bocadinho de verniz, vamos lá e retiramos o verniz da unha toda. Ufa, muito melhor. Bastante melhor ter ali 9 unhas arranjadinhas e uma nuinha. Mas também não faz mal: daqui a duas semanas tenho marcação. Até lá tiro com os dentes as restantes 9 assim a satisfação de ter as unhas arranjadas novamente é ainda maior!!

Mulheres. Tão fáceis de entender.

Motivos para Festejar

Novo post, nova reflexão.

Este post estava pensado para ser escrito no passado sábado. Mas noite de sábado, já se sabe: saídas, copos, abanar o capacete… Não tive tempo para vir aqui escrever.

Fui convincente não fui? Na verdade ás 21h já estava aterrada no sofá depois de deitar o bebecas. Já não dei “uma para a caixa” até à manhã de domingo. Ontem, domingo, amadureci a ideia do post, peguei no tablet para a pôr em prática, escrevi a primeira linha e…. O António acordou. Lá fui eu embalá-lo para o voltar a adormecer. Embalei-o tão bem, tão bem, tão bem… Que adormecemos os dois e lá ficámos toooda a tarde. É isto.

Mas calma que o post vem. Devagar mais vem.

Quem como eu arranja mil e uma desculpas para ter algo para festejar? Quem? Quem? Eis que é o dia do sorriso. Eis que é o dia do abraço. Eis que o meu filho faz hoje 11 meses! Wow! Eis que é o dia do café e lá vou eu tomar 4 cafés para festejar. (Quem me dá café… Dá-me vida.) Eis que é o dia do cão. Eis que é o dia do irmão. Todos os dias são dias de festejar algo. O meu filho faz hoje 11 meses, já vos disse? Há ali uma rádio para os lados de Lisboa que me ajuda a arranjar desculpas diárias de festejos.

No sábado era dia de “agradecer a quem está todos os dias ao nosso lado“. Aos melhores. Aos que nunca nos deixam. Aos que mesmo naqueles dias, sabem aqueles dias!? Mesmo assim estão lá. Ao nosso lado. Com os braços disponíveis para os abrir a qualquer momento e nos envolver num longo e apertado abraço. Aqueles abraços. Era dia de agradecer a essas pessoas.

Eu cá sou da opinião que esse dia é todos os dias. Devemos agradecer todos os dias a essas pessoas. Mas calma… Também não sou grande artista nisto. Eu e as palavras. A coisa não funciona lá muito pacificamente. Mas acredito que os gestos digam mais que as palavras. Dizem não dizem?

Hoje vou comprar um docinho, levá-lo para casa e comê-lo com o meu companheiro de todos os dias. O nosso filho faz 11 meses. Sabiam? É verdade. O nosso filho faz 11 meses. É ou não é um grande motivo para festejar? Isso e dar um longo e apertado abraço. Há lá maneira mais bonita de dizer que se ama.

E o culpado disto tudo é:

Pergunta primordial: porque é que o blog se chama “A Mãe do António”? . Porque foi o único nome que me surgiu. Podia ser mentira mas é a verdade. Não tenho assim muita imaginação. Mas a verdade é que eu sou a mãe do António. Aliás, eu já nem me lembro do meu verdadeiro nome. E digo mais: sou da opinião de que a partir do momento em que somos mães deviam alterar o nosso nome no documento de identificação para “A Mãe de X”. Era bem mais funcional. Tipo: Inês A Mãe do António Henriques. Nunca mais nos vão chamar pelo nosso nome e não, ao menos terminava-se logo com o assunto. E até acrescento (perdoem-me futuras mães): nunca mais se vão dirigir a nós para saber de nós, por isso nem nos vale de nada ter nome próprio.

Se nos ligam a pergunta do outro lado é: Então, como está o menino?

Se nos vêm na rua: então, como está o teu Manuel? (que nem é o nome dele, mas a intenção está lá).

Ás tantas nem nós já sabemos como nos chamamos. Aquelas criaturas de olhos grandes roubam-nos tudo. Do nome ao coração.

E a verdade do nome do blog é esta. Juntei numa frase três das coisas que mais amo na vida: o nome António, ser mãe, e o meu filho. Vamos lá dar vida a “isto”.

Ok, tens um blog. E agora?

E a questão coloca-se: ok tens um blog, e vais falar de quê? Boa pergunta. De tudo. Hum, tudo. Tudo o quê? Bem, tudo: moda, beleza, cosmética, a sociedade, os temas atuais, a vida. Pois, já havia cá poucos!

Verdade, verdadinha. O tema “blog” e “blogger” está na ordem do dia. Há muitos, dos mais variados estilos, dos mais variados temas. Mulheres, homens, crianças. Há muitos. Eu sei. Mas eu posso ser mais uma, certo? Poder podes, mas não achas que vais ser mais uma? Acho. Mas não somos todos SÓ mais um? Somos. Mas somos só mais um à nossa maneira. Somos só mais um ao nosso estilo. Somos só mais um mas com a nossa verdade. É assim e sobre isso que eu quero escrever aqui: à minha maneira, com o meu estilo mas com toda a minha verdade.

A verdade está prometida.

Acreditar

A vida é feita de recomeços. Renovar-se faz parte do processo de viver. Nunca gostei de mudar. Gostava do que era certo, de saber com o que contar. Não mudava o corte de cabelo: um novo podia não gostar. Não mudava o estilo de vestir: sabe-se lá o que vão dizer de novas roupas. Não me maquilhava: e se eu pensar que estou bem e estiver só uma palhacinha? A rotina era bem melhor. Já estava habituada a usar aquele cabelo, aquelas roupas e a ter imperfeições na pele. Os outros também estavam habituados a ver-me daquela forma, por isso estava tudo bem. Um dia pensei “e se deixar de me importar com o que os outros pensam?” pumbas. O melhor pensamento que tive até hoje. Somos tão mais felizes. Se acreditarmos nisto, podemos tudo. Podemos cortar e/ou pintar o cabelo que vamos adorar: porque acreditamos. Vamos esticar ou fazer caracóis e vai ficar fantástico: porque acreditamos. Vamos andar de saia, calções, calças ou vestido e vamos brilhar: porque acreditamos. Até saímos á rua de pijama, com roupa manchada com lixívia, com camisolas rotas na zona do cinto e vamos sentir que estamos prontas para ir a um casório: porque acreditamos. O segredo disto tudo? Acreditar. Em nós, nos outros, nos nossos gostos, nas nossas intuições, nos nossos sentimentos, nas nossas ambições, nos nossos objetivos, na vida. Por isso criei o “A Mãe do António”. Porque acredito nele. Se com isto fizer alguém acreditar, então já valeu a pena.