Arrependimentos

2019 está a acabar. Dá para acreditar que já passou mais 1 ano? O António está quase a fazer 1 ano. O tempo corre.

Na reta final do ano, é tempo de fazer reflexões. O que correu bem, o que correu menos bem, o queremos manter e o que queremos mudar no novo ano que se inicia em breve.

O que está feito não dá para alterar, mas dá para concluirmos que não faríamos novamente da mesma maneira. E eu, certamente não voltaria a repetir uma coisa: voltar ao trabalho aos 4 meses do meu bebé.

Voltar a trabalhar ao fim de 4 meses de licença foi a pior e mais dolorosa experiência da minha vida. Algo que por palavras é difícil de explicar. Parece que nos arrancam um pedaço de carne a sangue frio. Parece que nos tiram um membro e nunca mais nos devolvem. No dia em que vim trabalhar escrevi “a cabeça vai, o coração fica”. E isso mantêm-se. Sempre. Todos os dias.

Podia ter prolongado a licença, mas ingénua achei que a empresa não merecia que lhe falhasse. Mas falhei eu ao meu filho. Não estive lá o tempo que ele merecia e só mais tarde percebi: ninguém é insubstituível dentro de uma empresa, mas a mãe… A Mãe, ninguém a substitui.

É claro que ele estava bem, mas não estava comigo. Eu sei que ele estava bem estregue, mas não estava comigo. Não era eu que lhe dava a sopa. Não era eu que lhe dava o lanche. Não era eu que estava ao lado dele nas sestas. Não era eu. E continuo a não ser eu. É frustrante. E também é uma bipolaridade de sentimentos: eu sei que toda a gente tem de trabalhar e sei que a maioria das mulheres passou ou está a passar por isto, mas cá dentro não aceito. Não compreendo os 4 meses.

Estou com horário reduzido. 10h ás 17h. Dia 22 deste mês, termina. Vou passar de 7 horas para 9 horas longe do meu rebento. Que tempo resta para ele? A noite. Só.

Podia ter aproveitado todo o tempo que ele merecia e não aproveitei. Não aproveitei o meu filho até ao máximo. E agora não posso voltar no tempo. É o meu maior arrependimento de 2019.

Recebi esta foto num dos primeiros dias pós licença. Continua a ser um dos meus refúgios quando bate a saudade.

Publicado por amaedoantonio

Sou uma mulher das ditas normais. Com formação em química industrial, em união de facto com um filho. A minha vida resume-se a casa-trabalho, trabalho-casa e nos intervalos tentar viver ao máximo o meu filho e o meu amor. E o importante da vida são os intervalos. É sobre os intervalos que vos falo no blog.

3 opiniões sobre “Arrependimentos

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